Enquanto o filho não vem…

Enquanto o filho não vem…

Responder a si mesmo a pergunta “Por que quero ter um filho?” ou “Por que ter filhos neste momento da vida?”

Pode ser, ao mesmo tempo, fácil e difícil de responder. Talvez muitos sequer tenham refletido sobre isso, pois ter filhos pode parecer uma consequência óbvia e natural da vida de um adulto. Pode parecer óbvio, mas não é.

Se dedicarmos um tempo para reflexão, é possível verificar que desejar ter filhos não é o mesmo que desejar ser pais.

O desejo de filhos é um desejo voltado para si, uma vez que carrega a possibilidade de perpetuar-se em gerações futuras, uma forma de lidar com a nossa finitude. O projeto de ser pais é algo voltado para o outro. Significa ser capaz de fazer remanejamentos psíquicos e afetivos para atender às necessidades do corpo, da vida afetiva e da vida psíquica de um bebê.
Este desejo inicia na infância, na brincadeira de bonecas, de mamãe e filhinha, época da vida em que o corpo da criança ainda não tem condições de concretizar tal expectativa, e que precisará esperar um longo tempo até que termine seu desenvolvimento biológico. Esse desejo acontece tanto em meninas quanto em meninos, sendo carregado de fantasias e significados.

Chegando à idade adulta, quando um casal se constitui e partilha o projeto de formar uma família, a demora em conseguir engravidar remete a este sentimento já conhecido da infância: a constatação de que seu corpo não corresponde à realização do desejo de ter um bebê.

Somado à convivência com outras pessoas tendo seus filhos, muitas vezes o questionamento “Por que comigo?” abala a autoestima, podendo trazer sentimentos de inferioridade.

A sensação de pressão por parte da família ou mesmo entre o casal (ideia de “dar” um neto aos pais, ou “dar” um filho ao cônjuge) causa desconforto emocional quando a gravidez demora para acontecer. Quanto maior a demora, maior a frustração, transformando o desconforto em ansiedade e sofrimento intenso, podendo inclusive desencadear depressão.
A busca dos recursos de uma Reprodução Assistida traz novo fôlego às expectativas de conseguir o tão desejado filho, mas é necessário estar atento para que o desejo de filho não venha a se transformar em obsessão por filho.
Observa-se uma tendência a entender que problemas de engravidar se resolvem somente em consultórios médicos. No entanto, as questões emocionais não devem ser subestimadas.

A ansiedade elevada pode dificultar tanto a concretização de uma gestação por vias naturais, quanto por processos de Reprodução Assistida.

Sendo assim, enquanto o filho não vem, o acompanhamento psicológico é um aliado importante na ampliação os recursos emocionais para lidar com a ansiedade, a depressão e o desgaste do casal na busca por um filho.

Ivana Elia Schneider – CRP 07/03238
Especialista e Mestre em Psicologia Clínica
ivanaschneider.psico@gmail.com
fone: 99976-5717

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