As falcatruas do dia a dia

As falcatruas do dia a dia

Nosso cotidiano é recheado de atitudes enganadoras que não deixam de ser falcatruas. Acompanhamos com frequência pessoas usando de esperteza para tirar vantagens.

É difícil nos opormos a isto, pois muitas vezes nos identificamos inconscientemente com o espertalhão e com o desejo de também levarmos vantagem.

Exemplos de falcatruas: Quando o filho pega o carro escondido do pai e a mãe alia-se a ele para que o pai não saiba, ou o rapaz alia-se ao pai para que a mãe não saiba que a namorada engravidou e irão interromper a gestação.
Aceitarmos a corrupção na política. O paciente com câncer que espera seis meses para ser operado pelo SUS. O rapaz sai com uma moça e noutro dia conta para os amigos como foi a noitada. A moça conta para as amigas que não vale a pena sair com o fulano, porque ele tem “tico pequeno”.

O pai recebe o filho a noite e percebe que ele está alcoolizado e não toma nenhuma medida
em relação ao ocorrido.

A mãe radiante ao vestir a filha de dez anos de uma maneira sedutora para a reunião dançante, induz para que conquiste um menino através de sua aparência atraente.
Assistimos jogadores de futebol simulando agressões e causando a punição do adversário, o que é aplaudido pelos torcedores. Vejam as maciças campanhas de cervejas, usando atletas do futebol. É um claro estímulo ao uso do álcool, que já é um problema de saúde pública. Ninguém se levanta contra estas campanhas enganosas. Não existe uma entidade pública como o judiciário, promotoria ou associações médicas para nos protegerem destas falcatruas?

Outro dia dei uma palestra num colégio “top” de Porto Alegre e fui ao banheiro dos alunos homens do 2º grau. Para minha surpresa não havia papel higiênico nem toalhas para secar as mãos. Saindo do banheiro, deparei-me com uma atendente numa mesa onde havia papel.
Perguntei a razão desta conduta. Disse que os alunos entupiam os vasos ou jogavam o rolo de papel pela janela. Pensei: “Aqui o colégio é refém dos alunos. Tudo indica que os colégios não desejam endurecer com os alunos, pois poderão perdê-los para outros colégios mais tolerantes com os distúrbios de conduta”.

Escuto seguidamente que alguém usa droga devido às más companhias.
Não tenho dúvida que as más companhias estão dentro de nós, em nosso caráter. Nossa sociedade é conivente com as falcatruas do dia a dia, amparadas no desejo de levar vantagens e na idéia de que os meios justificam os fins.
Este jeito de levar a vida poderá estimular nas crianças e jovens a percepção de que tudo vale a pena e que tudo dará certo lá na frente.

Crescem com a idéia de que ter dinheiro, amigos poderosos e influentes ou conquistar uma mulher gostosa ou um homem atraente, torna-se o sentido da vida.

Doce ilusão. Alcançam estes objetivos, mas ficam vazios internamente, deprimidos, desenvolvem ansiedades, síndrome do pânico, bebem em excesso ou usam outras drogas e a vida segue sem sentido.

Nelio Tombini
Psiquiatra e Palestrante com foco em conflitos emocionais nas Instituições
Diretor da Psicobreve
http://www.psicobreve.com.br/

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